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A nova cara do Pagode do Exalta!


Desde quando foi eliminado do programa Fama, da Rede Globo, Thiaguinho foi convidado para assumir os vocais do grupo logo após a saída de Chrigor - que saiu para fazer carreira solo. Sua entrada alavancou totalmente o Exaltasamba, que até então não estava mais nas paradas como antigamente com os antigos CDs, onde emplacavam música atrás de música, tais como “Luz do desejo”, “Eu e você sempre”, “Eu me apaixonei pela pessoa errada” e outras.

Em 2005, o Exalta faz 20 anos de trajetória e o novo integrante, com 2 anos de grupo, mostra que chegou para conquistar tudo e a todos com o seu carisma e competência. Não bastasse assumir a responsabilidade sobre as canções antes proferidas por Chrigor, mostrou-se pró-ativo e assinou quatro novas composições. Para antenar mais o grupo com o que está acontecendo no cenário musical, Thiaguinho e companheiros, em 2007, gravaram o primeiro DVD da banda intitulado “Todos os Sambas”, no qual reunia grande parte dos antigos sucessos e duas novas músicas (“Faz falta” e “Acaba tudo bem”) que já chegaram fazendo a alegria dos fãs.

Mas a autonomia do novo vocalista não acaba por aí, pois dois anos depois é gravado o segundo DVD do Exaltasamba, que determinou a nova cara do grupo e definiu um conceito mais ousado nas apresentações. Um disco de muitos sucessos como “Tchau e bença”, “Jogo de Sedução” e “Graça” teve como carro-chefe a música “Livre pra voar”, que projetou de vez a banda nas maiores rádios nacionais e possibilitou a permanência da música entre as mais ouvidas por meses.

Baixe “Livre para voar” aqui

O retorno é tão grande que o número de shows aumentou exorbitantemente, levando-os a fazer mais de 3 apresentações só na capital do Espírito Santo, sem falar nos shows feitos em cidades do interior.

Embora o tempo livre esteja ficando cada vez mais reduzido, parece que o dia dos integrantes têm mais horas, pois o ritmo de trabalho só tem aumentado, o que ocasionou, no ano de 2009, no lançamento do terceiro DVD – “Exaltasamba na Ilha da Magia”. Com uma mudança repentina de ritmos e letras, o novo trabalho quebra tudo o que vinha sido feito até agora e propõe um novo estilo de pagode, onde as composições passaram a ser menos românticas e mais ousadas e provocativas. Como sucesso principal tem-se “Abandonado” (que pode ser visualizado abaixo), que foi, como “livre pra voar”, a impulsionadora do sucesso. Depois de passado a primeira empolgação, observa-se melhor as outras músicas e passa a apreciá-las, fazendo com que o CD em sua totalidade seja de qualidade.

Agora, só podemos ter um pouquinho de paciência para esperar, pois com certeza haverá um show do Exaltasamba em sua cidade. Opa, dia 3 de Outubro haverá um na Grande Vitória. É pra lá que nós vamos!


André N. Bueno




The age of music is past

Há 37 anos, Caetano Veloso voltava ao Brasil após algum tempo de exílio em Londres. Além das malas e da saudade, o compositor baiano trazia consigo um pequeno volume de papel envolto num saco plástico de supermercado inglês. Nesses papéis, estavam escritas nove letras de músicas e algumas melodias, que meses mais tarde, no ano de 1972, se transformariam numa das maiores obras musicais da MPB.

Foi numa transa entre a língua portuguesa e a inglesa; entre os versos barrocos de Gregório de Mattos e os toques antropofágicos de Caetano; entre o toque da guitarra elétrica e o samba dor-de-cotovelo de Monsueto de Menezes, que nasceu o disco TRANSA (download). Ninguém nunca ouvira nada parecido, e os próprios defensores de Caetano admitiram que um choque térmico poderia ter afetado a razão do autor. Não foi nada disso. Por trás de toda loucura que desenhava o álbum, desde a epiderme da capa, estava, eu penso, mensagens muito simples dentro das canções.

O grande segredo do disco é a complexidade das melodias em choque com o simples e factual das letras. Na verdade, estas não foram lapidadas num processo parnasiano, eram reflexos, cortes, das impressões de Caetano acerca da realidade (que foram jogadas num papel e musicadas). Dai a sinceridade, marca que eu vejo como principal na obra.

Em Londres, longe do Brasil, da Bahia, da família, dos amigos, dos amores, é que o sentimento se aflorou. Todos eles, os bons e os maus, se misturaram num todo que resultou em TRANSA, e influenciou a carreira musical de Caetano Veloso até o disco Velô (download). Em seu penúltimo disco, o bom álbum Cê Ao Vivo (que sinto muito, foi removido de todos os sites de download), Caetano regravou as duas mais belas canções do disco TRANSA: You don't know me e Nine out of ten. As duas músicas estão no final do post, para quem não quiser baixar o Cd na íntegra.

Sinceramente, a minha vontade é apenas divulgar a beleza dessa obra, e compartilhar com todos vocês um momento ímpar e melhor da MPB. O disco mencionado, além dos meus elogios, ganhou os seguintes prêmios:

Melhor disco estrangeiro da década de 1970- Revista Francesa Ecoutez, 1983.
Melhor disco brasileiro de MPB- Revista Bravo!, 2004.
14º maior álbum da música nacional- Revista da MTV, 2004.

Bruno Alcantara

Nine out of ten

You don't know me



Projeto Havanna

2009. O mês eu não lembro, mesmo. Segundo trimestre de 2009 e eu estava no meu carro. Para variar um pouco, era André quem estava dirigindo. Como de costume, ele sintonizou a rádio, num singelo protesto ao Cd do Cazuza, Exagerado, que já estava no Player do carro há meses. Pensei em pedir para que ele voltasse atrás (cara, eu não aguento ouvir algumas rádios), mas o sorriso de aprovação do meu amigo Digão Alcure (que estava no banco da frente) deixou claro que eram dois contra um.

Bom, primeiro, tocou uma música da banda Velho Scotch. Achei uma imitação forçada de alguma possível combinação entre Barão Vermelho e Los Hermenos; pelo menos era uma imitação forçada de duas coisas, consideradas por mim,
boas, e dentro do leque de possibilidades, foi algo muito melhor do que eu esperava ouvir.

Projeto Havanna- Augusto e Miguel

Mas a grande surpresa foi a música que tocou depois, ela começou, e tinha um quê de alguma coisa que eu não soube nomear. Era nova, e muito boa. Não pode ser uma banda capixaba, pensei. A grande maioria dos grupos daqui está presa num ciclo repetitivo, e essa música parecia ignorar qualquer tipo de convenção, o único ciclo que a prendia era o dela mesma, que apresentava uma infinidade de possibilidades nas quais eu jamais pensara. Eu não esperava que os nossos colegas de faculdade fossem capazes de fazer uma música tão boa. Não por falta de talento ou capacidade, mas é que a melodia e letra formavam um todo realmente singular.

Ouvir BUT I DO compensou os 40 reais que eu joguei fora comprando o último disco do Roberto Frejat. E o mais legal era saber que ela foi feita por gente que estava tão perto (duas ou três carteiras, quem sabe). Gente que ainda tem vontade de pensar a música, de viajar por dentro da melodia, e de fazer desta algo que nos passe uma mensagem. Alguma mensagem que preste.

Estacionamos o carro, e na mesma hora liguei para o Augusto - vocalista, baixista, bateria e violão da banda - e lhe falei que a música era realmente muito boa, tão boa que eu repeti o elogio uma três vezes, para parecer sincero. Pois era.

Bruno Alcantara

But I do, Projeto Havanna.