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Fama de Bamba em assuntos do coração!


Todo sambista que se preze já sofreu por um grande amor. Se não, nunca poderá ser considerado um sambista de primeira, pois não terá o tempero certo para fazer uma composição digna de um Bamba. E Jorge Aragão não é diferente, uma vez criado no meio dos bons. Com suas criações todas muito bem trabalhadas, ele consegue se destacar, conseguindo fazer a mais singela união entre suas lindas letras com a mais perfeita melodia.


Junto com a visibilidade e credibilidade deixada de herança pelo Fundo de Quintal aos seus “filhos” que saíram de casa, Jorge Aragão adquiriu uma enorme experiência ao vivenciar essa grandiosa alegria de conviver com os grandes e se tornar um dos maiores formadores de opinião da música popular brasileira; em especial, do Samba.


Com um dom nato para letrar, Aragão sabe manusear as palavras tão bem quanto um poeta, que faz um simples verso já hipnotizar as pessoas que passam, forçando-as a ouvirem a música até o final. Para melhorar ainda mais, ele adiciona uma harmonia que vicia o ouvido dos que escutam. Todos os sucessos emplacados são frutos dessa mistura, que faz com que sempre queiramos ouvi-los cada vez mais. Exemplos são fáceis de citar, tais como “Já é”, “Enredo do meu samba”, “Malandro”, “Doce Amizade”, entre outras.


Assista “Já é” Aqui!


Além do sucesso pessoal, muitas composições caíram nas graças do povo sendo cantadas nas vozes de outros grandes artistas. A primeira a gravar uma música de Jorge Aragão foi a pequena (apenas no tamanho) Elza Soares, que gravou a música “malandro” com um desempenho excepcional. Além de Elza, outros intérpretes do samba, como Beth Carvalho, Alcione, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila já compartilharam do repertório de Aragão.


Um eterno romântico, 90% das letras falam sobre o tema amor. O que é bem interessante e desafiador, pois as experiências são tantas que ele consegue fazer centenas de composições sem que elas fiquem parecidas, mas sim com aquele traço de singularidade que apenas os grandes músicos conseguem. Além disso, para um pagodeiro, nunca será demais ouvir histórias sobre o amor, pois é ele que o inspira a escrever. Isso, o amor, em sua totalidade (seja na felicidade ou na tristeza), faz do sambista um sonhador, um utópico.


Uma das músicas que mais me identifiquei se chama “Feitio de Paixão”, que conta a história de um jovem que quer conquistar de qualquer jeito a garota pela qual ele é apaixonado. Ele usa de todos os artifícios, como jogar Búzios, fazer feitiços e até tomar banho de arruda para tentar fazê-la gostar dele. Entretanto, ele não quer subornar o coração da moça, quer apenas que ela goste e confie nele, pois ele só quer fazê-la feliz.


Eu já tive a oportunidade de comparecer ao show desse ícone do Samba, que fez com que a apresentação dele parecesse única. Toda vez que eu assisto à um DVD ou vídeos dos shows de Jorge Aragão, me imagino lá, o que me eleva à outra patamar, cujo qual fico a vontade para cantar e falar sobre o tão procurado e almejado Amor. Parabéns, Jorge Aragão!




André N. Bueno


Os Cegos do Castelo


Era 1997. O chamado "receio" tomava conta da banda paulista, antes que pisassem no palco do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Um álbum integralmente acústico parecia ser demais para os Titãs, conjunto musical que nunca antes vivera sem seus baixos e guitarras elétricas. A bateria de Charles Gavin fora reduzida a um cubículo.

Receio, porque outros grandes nomes do Rock Nacional tentaram o mesmo. E o resultado não foi expressivo: O acústico do Legião Urbana, apesar do número grandioso de cópias vendidas, era, evidentemente, entediante e melancólico demais. Os Paralamas não encontraram sintonia acústica para nenhuma de suas músicas (é me dói dizer isso). O Especial Barão Vermelho sequer virou um Cd. (geraria um Dvd posteriormente, em 2005).

Mas foi perfeito. Nenhum dos arranjos deixou a desejar, e até Nando Reis acalmou a voz para não ultrapassar os toques do seu baixo-acústico (que foi o melhor da festa, em minha modesta opinião). Claro que a grandiosidade do espetáculo arquitetado pela MTV não permitia falha alguma. Os componentes integrais da banda eram apenas 7, num palco para quase 30 artistas. Artistas consagrados em suas respectivas funções: trompete, violino, percussão, harpa, violoncelo, sax, dos que eu me lembro. Dali, nasceram obras-primas em suas versões acústicas, como: Os Cegos do Castelo, Pra dizer Adeus, Flores, A melhor forma e Querem meu sangue, com participação especial de Jimmy Cliff (autor da versão original que foi adaptada, em português, pelo Nando Reis).

Hoje, apesar das 1 500 000 cópias vendidas, muitos dizem que desde lá os Titãs não são mais os mesmos; e eu concordo. Mas o preço foi justo.

Bruno Alcantara

Os Cegos do Castelo


Querem meu Sangue


Pra dizer Adeus




Vitória do Rock.

Se engana bastante quem pensa que o Espírito Santo só comporta congo. Aliás, congo é o estilo de música que menos escuto por aqui. Tudo bem, é cultural, específico, não comercial (salvo exceções marcianas) e enraizado nas tradições capixabas, mas a música local vem se destacando com um outro tipo de som: o pesado.

Hardcore, muito barulho e voz forte. O Dead Fish, banda formada em Vitória em 1991, mas que veio atingir sucesso nacional com o álbum "Zero e Um" em 2004, se firmou como um dos grandes destaques da música capixaba. Sob os vocais de Rodrigo Lima, a banda ganhou uma legião de novos fãs do underground, contraditoriamente trazidos pela visibilidade no mainstream.

Os capixabas do Dead Fish.

Mas pra quem achava que o sucesso se limitaria ao som do "Zero e Um", o Dead Fish mostrou sua força ao faturar o prêmio MTV Video Music Brasil esse ano na categoria Melhor Vídeo Hardcore (a banda já havia ganhado um VMB em 2004 na categoria Revelação). Outras bandas capixabas também estavam entre as indicadas da noite, como Mukeka di Rato (mesma categoria dos Dead Fish) e Mickey Gang (categoria Aposta MTV).

É o Rock capixaba marcando presença (e faturando prêmios) em cenário nacional. Alguém já pensou numa fusão congo + hardcore? Tá aí uma bela idéia pro próximo Estúdio Coca-cola.

Confiram o vídeo oficial de Autonomia, vencedor do VMB 2009:



Rodrigo Alcure.

It's Britney, bitch!

Pois é... vida difícil a dessa Britney. Princesinha do pop, queridinha dos americanos, gostosa, rica, famosa, e nem precisou saber cantar pra ter tudo isso. É um "sucesso de vendas": a cantora que mais vendeu discos nessa década, 85 milhões de cópias. E num é que a mulher tem bala na agulha?

Britney e seu talento in-ques-tio-ná-vel.

Tudo estava indo bem nas paradas americanas até que Britney decidiu lançar uma coletânea dos seus gemidos mais famosos ("The Singles Collection"). Em meio a isso, ela antecipou uma música inédita que fará parte do greatest hits. "3" (three), é o nome. E não foi preciso 1 semana para mostrar sua força.

A música, tão logo caiu no iTunes, estourou em downloads pagos e subiu como um foguete pro topo das mais baixadas. Só na primeira semana, foram quase 250 mil downloads. Uma venda assim fez Britney conquistar um feito raramente realizado na história da Billboard: ter uma música estreiando em 1º lugar na lista do Hot 100 (as "100 mais" dos EUA). Chegou de lugar nenhum, sem promover nada, sem nem dar as caras (e bundas) em programas de TV, e a música já virou notícia.



Pelo visto, já não são mais essenciais as peripércias vocais que marcaram os cantores dos anos 90. O que manda agora é ser show-man. Vender revista, notícia, tablóide, escândalos, ingressos para shows e músicas cobertas de pro-tools. Os fãs adoram, as rádios tocam, os artistas se enriquecem e todos ficam (reza a lenda) satisfeitos.

E viva a cultura musical dos 00's.

Rodrigo Alcure.

O que é o Amor?


Realmente essa é uma pergunta básica que todos já fizeram. O incrível está no fato de que ninguém consegue responder com clareza esse questionamento tão singular, pois tentam analisar como um objeto qualquer, querendo definir a sua magnitude em simples palavras ou atos. O amor, como diz o grande Arlindo Cruz, não é um elemento simples, por isso não será fácil simplesmente falar “O amor é isso, por que...”, é necessária muita reflexão antes de falarmos sobre ele, ou melhor, não falemos sobre, apenas pensemos.

Quando saiu do grupo Fundo de Quintal para seguir carreira solo, Arlindo Cruz dedicou grande parte de seu imenso repertório falando sobre o amor. E, quando não compõe letras sobre, cantava de figuras ilustres como Almir Guineto, Sombrinha (com quem compôs grande parte de seus sambas), Jorge Aragão e muitos outros. E, sem dúvida, singulariza a música ao tocá-la de seu jeito.

Após passar por alguns maus momentos na semana passada, foi em duas composições do Arlindo Cruz que busquei refúgio. É engraçado, pois quando passamos por situações desagradáveis a gente sempre acha uma música para chamarmos de “nossa”. Dessa vez não foi diferente, a única coisa diferente foi que me apeguei à duas ao invés de uma. A primeira é “O que é o amor?” música linda que tomei como título dessa postagem, aonde põe a dualidade desse sentimento que ao mesmo tempo em que o deixa feliz um dia, no outro o deixa com a cara na lama.

Assista a música “O que é o amor?”

A segunda música que considero como “minha” – e a que eu mais gostei realmente, que mais me apeguei -, é a música “Ainda é tempo pra viver feliz”, que foi composta junto com o Sombrinha e tornou parte do repertório das mais variadas rodas de samba de todo o Brasil, sendo cantada por Beth Carvalho junto com seu afilhado Zeca Pagodinho; Arlindo e o jovem Gustavo Lins, além de cantada também por centenas de pequenos grupos que vão surgindo e que apreciam um bom samba.

Basicamente a música fala de um rapaz que está afastado da mulher pela qual é apaixonado e não quer mais deixar tudo do jeito que está, pois ele está triste com a distância entre os dois e com o término do relacionamento. Ele quer voltar a sorrir e vai fazer de tudo para tê-la por perto novamente. O refrão, tanto quando o nome da linda canção, é um pedido de ajuda para ela o ajudar a buscar a felicidade, pois ainda é tempo para viver feliz.


Essa música já é minha, você já tem uma pra chamar de sua?

Eu, de coração, torço muito pela evolução do samba/pagode pegando como referência os grandes ídolos como Arlindo Cruz, Fundo de Quintal, Cartola, entre outros. Para dar continuidade na disseminação de suas composições com aquelas sempre lindas frases que prepara a gente para o métrico refrão que explana, que difunde, que inspira, que transborda esse sentimento soberano que nos guia, o amor.

André N. Bueno



Sete Músicas para serem entendidas

♪♪ "Que só eu quem podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos...". Você, com certeza, querido leitor, soube completar o versinho. Mas você nunca pensou em ir além? Nunca pensou em descobrir o que o Poeta quis dizer com as suas palavras, ao invés de ficar cantarolando o poema sem saber, realmente, a sua origem de inspiração?

Algumas músicas fazem tanto sucesso e ficam tanto nas nossas cabeças, que o ato de cantá-las se transforma numa atitude mecânica. Mas a música é muito mais bonita quando a gente sabe por que foi escrita; quando nos colocamos no lugar de quem a escreveu, e descobrimos que temos o poder de utilizar as mesmas palavras para expressar algo que é nosso. Dilui-se o espaço entre você e o seu ídolo, e o efeito que a música causa torna-se mais puro e intenso.

Foi pensando nisso que, dentro do meu leque restrito de conhecimento musical, escolhi "as 7 músicas para serem entendidas". Umas famosas, outras nem tanto. Todas muito bonitas. Tentarei explicar o que o letrista realmente quis dizer com suas estrofes, que no caso das 7 músicas a seguir, estão repletas de eufemismos e metáforas que só anseiam passar uma mensagem.

Ah! E para que não sabe o que são "segredos de liquidificador": São, simplesmente, lambidas demoradas no ouvido, num movimento circular uniformemente variado. Eis as notas:

7- Desastre Mental- Cazuza, Exagerado, 1985.



Muita gente pensa que Cazuza escreveu essa letra depois que descobriu ser Soro Positivo, mas não. Esse Poema é de 1984, ano no qual o Barão Vermelho conseguiu seu primeiro Disco de Ouro, e no qual Agenor começou a pensar em abandonar seus irmãos.

A música é, basicamente, sobre um cara, bêbado, numa festa, e que já não aguenta mais ouvir os desabafos de sua "colega". A canção é meio um "cala a boca e me dá logo, porra". O autor não se importa nada com as consequências do seu ato, e ainda esclarece à amiga que aquilo que ele sente não é amor: "prefiro te manter ao lado direito do meu peito...", e ao mesmo tempo em que a convida para dar uma "saidinha do recinto". Diz que os dois são sobreviventes de um desastre mental, ou seja, eles têm todo o direito de fazer o que querem, sem pensar e sem se importarem com o que acha a sociedade, que não é sobrevivente, é o próprio desastre mental.

6- O Vento Noturno do Verão- Nando Reis, Para quando o Arco-Íris encontrar o Pote de Ouro, 2001.



A música, apesar de toda a fantasia que circunda o Poema, retrata nada mais que o primeiro beijo de dois alunos do primário, que fugiram do lugar que lhes era estabelecido e "escorregaram para o pátio do Ginásio" através de uma ladeira.

Aí, o ex-titã começa a enfeitar a música com palavras que retratam nada mais do que toda a expectativa e euforia do primeiro beijo. Ele também deixa claro todo o medo que sentiu, e quantas vezes ele pensou antes de decidir, de tomar coragem: "Como a coragem que nos traz o soprar do vento no outono do verão". A frase anterior também nos mostra que o beijo foi dado lá para o mês de fevereiro, o que deixa claro que o menino teve as férias todas para pensar nisso e decidir tentar. E pelo jeito deu certo: "Somos capazes de pensar, mas não deixo de admirar as rochas que não precisam da respiração"; o único empecilho para que o beijo seja eterno é a própria falta de fôlego, ou seja, a necessidade da respiração.

5- Trem das Cores- Caetano Veloso, Cores e Nomes, 1982.



Eu sempre gostei muito dessa canção. E ela foi a única da lista que eu entendi completamente, logo de primeira. Então, vai ser rapidinho de explicar: um rapaz, apaixonado, viaja de trem para se encontrar com sua namorada, que provavelmente mora em outra cidade. É claro, que ela era o único pensamento dele durante a viagem; ele está feliz, e tudo que ele percebe fora e dentro do trem vira inspiração. Inspiração que vira um Poema de amor destinado à menina "de cabelos pretos e lábios castanhos, ou melhor, cor-de-açaí" que o espera na estação de sua cidade.

4- Um Trem para as Estrelas- Cazuza e Gilberto Gil, Ideologia, 1988.



Uma segunda-feira preguiçosa. O Poeta abre a janela e vê lá embaixo a pobreza da cidade do Rio de Janeiro. O Cristo Redentor no alto do Corcovado meio que os convence a continuar a vida, apesar do sofrimento. Aí está o ponto central da música: "a crítica à Igreja, e à essa idéia de que Jesus Cristo é nosso salvador e filho de deus. Ao sofrimento na vida como causa de uma ida ao paraíso, na morte; como se a tristeza fosse uma maneira para a gente se salvar depois.

O tempo das mentiras católicas passou. Esse papo de que alguém foi crucificado para nos salvar é onda. Devemos ser mais racionais, pois a época dos navios negreiros (assim ele se refere ao tempo de Igreja) se foi; é hora de embarcar em outras correntezas.

3- Para lá- Adriana Calcanhotto, Maré, 2007.



Escutei essa música pela primeira vez no show da Adriana no Álvares Cabral, em julho. Em Agosto, mais uma vez, no show de despedida do disco "Maré", no teatro do Jardim Botânico. A letra da música é muito triste, e a melodia tão quanto.

Na verdade, eu não sei nem como descrever o que entendo dela. Mas que eu entendi, entendi. A composição é do Arnaldo Antunes, o que dificulta ainda mais, pois a expressão dele é bem singular (e circular). Mas vamos lá: Pense numa pessoa esclarecida, que já viveu e pode decifrar todos os segredos da vida, cientifica e filosoficamente. Ela só não pode entender esse amor que ela sente, um amor não correspondido. Não consegue esquecer, está acima de qualquer ciência. Acima de qualquer razão: "A Montanha insiste em ficar lá, parada" é uma metáfora para o sentimento que continua estático dentro dela.

2- Maluca- Cássia Eller, Com você o meu Mundo ficara Completo, 1998.



É a história de uma menina que experimentou o sexo pela primeira vez. Não parece, mas é. Um dia, pela manhã, ela acordou e viu sua irmã no maior rala e rola com um rapaz (ou moça?), e sentiu vontade de fazer também. E fez. Chamou algum rapaz (ou moça?), e fez amor por toda a casa.

Acho que 90% das pessoas que gostam da música, não conhecem o seu verdadeiro significado. A rosa é a metáfora do desejo, da paixão... Mas muita gente pensa que é só mais uma música bonitinha. Digo à elas: sempre bata na porta da sua irmã, antes de entrar no quarto.

1- Flores- Titãs, Õ Blesq Blom, 1989.



Eis a campeã de todo e qualquer concurso de significados inesperados. Acredito que a maioria de vocês sabem o sentido real da música, mas eu proponho uma visão diferente da estabelecida.

Por se tratar da campeã, uma análise minuciosa do Poema:

"olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho
chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro"

Um camarada, que anda mal na vida, e que deve ter tomado uns "foras" da mulher que ama, chega em casa nervoso, sem se preocupar em não pisar nas rosas que estão no caminho até a porta da casa. Chega a seu quarto, se sente em frente ao espelho e não vê mais sentido na vida. Chora pelas flores que destruiu no caminho.

"os punhos e os pulsos cortados, e o resto do meu corpo, inteiro
há flores cobrindo o telhado, embaixo do meu travesseiro
há flores por todos os lados, há flores em tudo que eu vejo"

Ele corta os pulsos numa tentativa de suicídio (mas o resto do corpo continua inteiro). Está deitado na cama, esperando a morte chegar, e o vermelho do sangue se confunde com a cor das rosas pisoteadas, e o que só consegue é enxergá-las em seus poucos lapsos de visão.

"a dor vai curar essas lástimas, as flores têm gosto de lágrima
o soro tem cheiro de morte, a dor vai fechar esses cortes.
As flores de plástico não morrem"

Mas o nosso projeto mal acabado de suicida não conseguiu morrer. Ele foi socorrido, está agora no hospital. Alguém, provavelmente a moça por quem ele é apaixonado, trouxe rosas para lhe estimar melhoras. E somente a dor desse amor não-correspondido será capaz de fechar os cortes.

No final, ele se compara à uma rosa de plástico, que não pode morrer, pois já está vazia por dentro. Sua alma já está morta.


Bruno Alcantara

É a música capixaba ultrapassando barreiras!


O pagode atual está estagnado, pois são poucos grupos novos que estão se destacando. A referência sempre será o Cacique de Ramos, palco e berço dos grandes fenômenos do samba/pagode, e não tem como ser diferente. Depois de beber da fonte, a escolha da vertente vai definir a cara de cada grupo – seja sambista de partido alto ou pagodeiros com letras de amor, entre outros.

Há 8 anos atrás, em Vitória (capital do Espírito Santo), um grupo de amigos que costumavam batucar e cantar pagode levantaram a cabeça e decidiram levar essa história de fazer música mais a sério. Já com instrumentos, começou-se, então, a jornada. Como é de praxe, os bares foram a primeira casa do grupo, pois eram neles que estavam quase todos os finais de semana.

Ao notar que conseguiam atrair muitas pessoas para os lugares em que tocavam, investiam pesado na divulgação da banda, que começava a ficar muito conhecida em todo o território capixaba, e com uma imagem positiva, pois a repercussão era boa e surgiam muitos lugares para tocar. Com grande divulgação, agora era necessário investir no conteúdo, ou seja, deviam começar a compor.

Logo em seguida seria gravado o primeiro CD do grupo – Mais Astral ao Vivo, em que trazia não apenas um, mas dois carros-chefe, que eram as músicas “Minha menina” e “Loirinha do Pagode” que logo viram febre e começam a passar incessantemente nas rádios locais. O reconhecimento nacional vem a partir do momento em que a música “Loirinha do pagode” vira tema da BBB Antonela, que participou da quarta edição do programa.

Baixe "Minha menina" aqui!

Após o sucesso do primeiro CD era se concentrar e colher os frutos da visibilidade que foi esse primeiro trabalho. Depois de 3 anos de shows, notaram que estava no momento de continuar o trabalho. E foi aí que lançou o segundo CD, intitulado “O gosto da felicidade” e logo depois, em 2009, veio o “No quintal da gente”.

Desde então multiplicaram os convites, até mesmo o de abrir shows nacionais de samba/pagode. Como exemplos temos o show do sambista Dudu Nobre, que ocorreu na casa de show Ilhacústico, o de, também referência do Samba nacional, Arlindo Cruz e do grupo Exaltasamba, que é o grupo mais badalado do momento.

Agora referência maior no pagode capixaba, o grupo Mais Astral mostrou que é possível fazer bem feito e ultrapassar as barreiras do próprio estado. Que todo esse trabalho sirva de estímulo para as bandas embrionárias criarem e crescerem. Eles só merecem o nosso parabéns: Parabéns grupo Mais Astral, continuem representando a gente em seus shows.


André N. Bueno